terça-feira, 8 de novembro de 2016

Inabraçável


Quem sou eu,
Senão uma hecatombe finita
Tomado de meticulosos impulsos
Revestido de revoltas sãs
Cheio de olheiras por ter dormido pouco?
Eu sou e sei que sou
O apenas do apenas
Um triângulo sem pontas
Um saco de carne que respira...
Um adorno sem graça
Para quem não me quer!
Quem seria eu então,
Se meus ouvidos se voltassem
Unicamente para meus sonhos,
Ou se meus olhos apenas vissem
Um lado meu que não está em mim?
Afirmo tudo isso, pois até meu cachorro
Já não late mais da mesma forma...
Tenho a sensação que se ele falasse,
Diria: Quem é você? O que fazes aqui?
Deveras eu sei a hora de não mais ser.
Eis que a mesma chegou faz tempo...
E isso é o que importa!
É preciso ir em outra direção
É preciso, apenas,  abraçar o inabraçável
E seguir sem ouvir um pensamento sequer
Salve apenas por um: a fé...


(Rodolpho Moraes)

quarta-feira, 1 de junho de 2016


Lá onde a vaidade não existe
Lá onde o que importa é sobreviver
Lá onde os sorrisos são raridades
Lá onde apenas as lágrimas hidratam o corpo...

Lá onde as alegrias quase inexistem
Lá onde a ausência substitui as presenças
Lá onde o medo fala mais alto
Lá onde as dores parecem não mais terminar...

Lá onde ninguém gostaria de estar
Lá onde poucos se propõe a ir
Lá onde o prazer dar lugar ao incômodo
Lá onde todo pouco é muito...

Lá, nesse que pode ser qualquer lugar
Existem seres humanos como eu e você
Que dariam tudo para ter o que desprezamos
Lá, nesse exato lugar, Deus escolheu estar...

(Rodolpho Moraes)

Brevidade


Acho que a vida tem tempo pra tudo.
Mesmo que sua brevidade seja um máxima indigesta.
Nela, temos a chance de fazer de tudo,
Se já não estivermos acomodados com nossos nadas, é claro...


Indisponho-me muitas vezes com o tempo,
Pois como digo a ele:
Não há porque correr tanto...
Tenho a sensação que o tempo
Tem mais pressa do que eu!

Assim com ele, a vida, corre mais ainda...
E como corre., meu Deus!
A meia hora atrás tinha doze anos
E já vejo os quarenta chegando.

No mais, ainda existe momento para fazer de tudo...
Ainda existem os anos, os agoras, as chances...
Ainda existem os momentos, as oportunidades e as portas...
Ainda existem, também, a vida e o tempo,
Não necessariamente nessa ordem...
(Rodolpho Moraes)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Finita obra inacabada...



Eu sou a obra inacabada
E a vela que não ascende
Sou o sorriso velado
Sou o medo iminente.

Sou a desistência que paira
E a fraqueza que berra
Sou  o desânimo gritando
Sou a angústia que cega.

Eu sou a mágoa que canta
E a melancolia severa
Sou a dor que sangra
Do remorso que resta

Por fim, sou nada...
Nada mais do que nada!
Sou apenas um terço das sobras
De uma finita obra inacabada.

(Rodolpho Moraes)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Por alguns míseros instantes...





Por alguns míseros instantes,
Eu gostaria que meu passado
Fosse o meu futuro!
E que amanhã fosse ontem, antes de ontem...

Gostaria que no ano que vem,
Eu pudesse viver a década de 80 e até de 90...
Para que eu pudesse sentir e reviver tantos momentos
Assim como quem assiste o mesmo filme por inúmeras vezes.

Queria pode abraçar de novo todos os meus,
Principalmente os que já se foram...
Queria rever e reviver meus avós
E, por mais um breve tempo, abraça-los por horas...

Queria, também, desfazer algumas bobagens que fiz...
Apagar alguns erros (não todos).
Fechar algumas portas, abrir outras e
Por fim, ficar por lá até ter vontade de voltar pra hoje...


(Rodolpho Moraes)



Foto: http://www.galaxcms.com.br/imgs_redactor/468/images/tempo.jpg

Nós somos as asas...



O tempo voa e nós somos as asas!
Batemos inconstantes, desajeitados.
Sem questionar os primeiros movimentos,
Mas sempre tentando achar um padrão...

Nossos movimentos não tem direção certa,
Não tem a coordenação adequada,
Mas existem...  E nos levam sempre mais adiante.
Sempre mais além dos nossos limites...

As vezes, isso é muito bom!
Outrora, não! Mas não importa...
Seja pela ansiedade, 
Ou pela angústia que inércia nos causa,
Continuamos a nos mexer, a bater,
A fazer este tal de tempo voar...

Ele, então, voa cada vez mais rápido,
Cada vez mais alto...
Voa por ser impulsionado a voar...
Voa por nossa culpa,
Voa tão somente, porque somos suas 
Inconstantes e desajeitadas asas...


(Rodolpho Moraes)


Foto: http://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bf009ca87/11458317_aLeEr.jpeg

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Duas vezes assim...


Amei-te duas vezes
Uma ainda pouco
Outra agora...
E nesse agora,
Foi-se meu tudo
Pela janela
Pela porta
Pela cova...
E só a saudade ficou
Intrépida
Estática
Perpendicular
Ao meu excesso de amor
Foi assim
Duas vezes assim
Sem tirar nem pôr...


(Rodolpho Moraes)

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Perpétua Condenação



Prisão sem grades,
Ali me tranco...
Algemas que não vejo
Beijo que não sinto!

Trancafiado fico,
Numa sala pequena
Na saudade do que nunca tive,
Imerso apenas no olhar.

Eis a condenação...
Foi-se a alforria!
Eis a máxima pena
Nos meus mínimos...

Adeus libertinagem,,,
Trancados fomos!
Perpétua condenação
Do que jamais terei...

(Rodolpho Moraes)



domingo, 12 de outubro de 2014

Passagem do Silêncio



Na verdade, eu gosto de quebrar o silêncio...
Gosto de transpor a alma,
E ser feliz no meu agora!
Por quê?

Porque quando é pra sofrer,
Eu não calo, Eu grito...
Quando é pra chorar eu não penso,
Apenas lagrimo...

Quando é pra ser feliz eu não espero!
Vou suportando do meu jeito,
Da minha forma... Todavia,
Quando é pra sonhar eu não acordo!

Sou apaixonado por quebrar silêncios!
Só permito meu grito, se for hoje. 
E no mais... 
Sou perito nessa vida em dissipar meus ruídos!


(Rodolpho Moraes)

Foto: (http://peopleenvironment.wordpress.com/2011/02/08/silencio-incomoda/)

terça-feira, 20 de maio de 2014

Pé nas estrelas


Com trinta e três,
Pisei na areia...
Sentei no balanço 
E brinquei...

Há tempos,
Não o fazia...
Só labuta!
Cansaço, rotinas!

Brinquei...
Fui lá no alto
Pé nas estrelas,
Gargalhei...

Meu riso,
Não estancava!
A felicidade balançada 
De volta estava...

(Rodolpho Moraes)

O choro


O choro existe.
É underground!
É feito d'água,
Escorre...

Por si insiste.
É cano estourado!
É tanque aberto,
Percorre...

Despenca rápido.
Única direção!
Pesa-lhe gravidade,
Coração...

Por vezes infantil.
Contaria a razão!
Pranta não em sim,
E afoga sim em não!

(Rodolpho Moraes)

Amassa


A poesia amassa
A massa que vive
Sem poesia...

(Rodolpho Moraes)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Deus me deixou ser menino até "indagora"...


Deus me deixou ser menino
Até "indagora"...
Me deixou brincar e ver
A vida como um garoto!
Me deixou brincar sem me ferir...
Me deixou ser criança por mais tempo,
Que o próprio tempo de ser criança!
E me deixou assim, até hoje...
Mas senti vontade de crescer de repente...
De voar mais alto, de ser maior,
Senti vontade de ouvir alguém dizer: ei pai...
Deus então, vendo tudo isto,
Me disse: Cresça filho, amadureça,
Eis a hora e o momento de ser adulto...
Talvez não seja tão mágico quanto ser criança,
Mas tem momentos únicos que te encantarão.
Feliz com o que eu havia ouvido,
Perguntei então a Deus:
Senhor, há um jeito de ser os dois?
Há um jeito de ser adulto e criança?
Deus com jeito formidável de responder disse:
Filho meu, existe um jeito! Mas é trabalhoso
E exige um certo exercício diário.
Se quiseres, posso Te ensinar...
Rapidamente respondi: me ensina agora Deus!
Ele, prontamente, com muito amor, exclamou:
Para seres os dois, precisarás sempre,
Usar em tua vida a razão de um adulto,
Juntamente com a emoção de uma criança.
Ambas na mesma medida, sem tirar nem pôr!
Assim, serás os dois por mais alguns "indagoras"...

(Rodolpho Moraes)   

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pra te fazer feliz...


Vêm aqui,
Escreve em mim
Que eu te rabisco...

Colores meu dia,
Que te desenho uma lua
Cheia, com um riso minguante...

Vêm aqui,
Tatua tua lágrima
No meu choro preto e branco...

Grafita meus muros,
Que por ti os pulo
Pra te fazer feliz...

(Rodolpho Moraes)

Mangue


Não mangue de mim...
Pois estou em meu porão,
Comendo as mangas que você deixou!

Não mangue de mim...
Pois não mango de você,
Mango apenas das mangas que te dou!

Não mangue de mim...
Mas use a mangueira ao invés da manga,
E venha banhar meu coração!

Não mangue de mim...
Pois da mangueira que mangas,
Sai a água que limpa o teu porão!

(Rodolpho Moraes)

De fato, a falta...


Voltar ao nosso passado,
Deveria ser possível!
Pois reviver, é muito melhor
Do que relembrar... (Muito melhor!)

Poderíamos entrar nos relógios,
Escolher no tempo aqueles dias,
Os principais, os marcantes...
E revivê-los por mais uma vez!

Se não bastasse, poderíamos
Ser os ponteiros do relógio,
Para rodar ao contrário,
E revivê-los de novo...

Mas, se ainda assim não bastasse,
Poderíamos passar quem sabe,
Uma semana e meia nestes dias
E findar de fato, a falta que eles nos deixaram!

(Rodolpho Moraes)



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014


Em tudo há!
Há certeza,
Há visão,
Há o existir...

Mas que há,
Há...
E disso,
Todos podem falar...

Há mais ali,
Há menos aqui,
Há mais, ou menos
E há até demais...

Há morte,
Há sorte,
Há tempo...
E a vida: é o que há...

(Rodolpho Moraes)

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O par e o ímpar...


Bem aqui
Ao lado do par
O ímpar se fez...

E sem contar,
Teimou em gostar,
Gostou porque quis...

Fez-se assim
Foi ali e,
Tudo mais aconteceu!

Par e ímpar
Ímpar e par
Você e eu!

(Rodolpho Moraes)

(Imagem captada no blog Diário de um Louco)



Tamanho incômodo...



Às vezes, quando o mundo para,
Sinto correr e mim um grave voz
Num tom alucinante e imponente que,
Até a surdez da minha teimosia
Incomoda-se com os gritos!

São os gritos da minha inércia que,
Num ímpeto de buscar a sobrevivência
De minha frágil alma, refugiam-se sem temer
No interior sombrio dos meus ouvidos...

Tamanhos são os gritos, os berros...
Tamanha a minha mera inquietude,
Tamanho o desespero insano da minha mudez
Querendo gritar, querendo sair,
Tamanho incômodo, tamanho incômodo... 

É assim que vivo o parar desse mundo,
É assim que ouço o tal tom alucinante,
A cada vez que minha inércia se move,
A cada vez que minha mudez não sobrevive!

(Rodolpho Moraes)

(Imagem: O Grito (no original Skrik ) é uma pintura do norueguês Edvard Munch, datada de 1893 e está localizada na Galeria nacional de Oslo, na Noruega)